Tontura X Vertigem

Labirintopatias — Tudo se resume à labirintite?

As labirintopatias são vestibulopatias (doenças do sistema vestibular) que podem comprometer ou não o sistema auditivo. São aquelas patologias que têm como sintoma principal a tontura e que são impropriamente chamadas de labirintites.

O sistema vestibular participa do equilíbrio do corpo. Os outros dois sistemas que possuímos são a visão e a propriocepção (que orienta sobre a posição do corpo, das articulações e o grau de contração/relaxamento dos grupos musculares).

Na composição do sistema vestibular encontram-se estruturas sensoriais periféricas — localizadas no labirinto —, nervos vestibulares superior e inferior e vias vestibulares centrais.

É comum ouvirmos alguém comentar que tem "labirintite". Esse termo ficou erroneamente popularizado para designar situações que comprometam o equilíbrio e a audição do indivíduo, simplesmente por causar os sintomas de vertigens e tonturas.

Desse modo, labirintite tornou-se um termo incorreto para designar uma afecção que pode comprometer tanto o equilíbrio quanto a audição, porque afeta o labirinto, estrutura do ouvido interno constituída pela cóclea (responsável pela audição) e pelo vestíbulo (responsável pelo equilíbrio).

O que se costuma chamar com naturalidade de labirintite é, na verdade, uma labirintopatia. O sufixo "ite" (labirintite) pressupõe uma infecção. Mas, infecção do labirinto? Não! Nesse caso não existe nada infeccionado. Já o sufixo grego “patia” significa “doença do” labirinto, o que faz todo sentido.

Portanto, processos inflamatórios, infecciosos e tumorais, doenças neurológicas, compressões mecânicas e alterações genéticas podem provocar crises de labirintopatias e vestibulopatias, entre elas a labirintite.


Você sabe diferenciar tontura da vertigem?

Tonturas e vertigens estão entre os sintomas mais comuns que levam os pacientes a buscar por auxílio médico (tão triviais como dor nas costas e cefaleias). Quedas podem ser uma consequência preocupante da tontura na população. Esse risco se agrava entre os indivíduos idosos com outros déficits neurológicos e problemas crônicos.

A tontura é frequentemente descrita como um misto de sensações: flutuação, dificuldade de se manter em pé, desequilíbrio, impressão de estar caindo, cabeça rodando, sensação iminente de desmaio, entre outros.

Ela é causada por enfermidades que afetam o ouvido interno, incluindo vertigem posicional paroxística benigna (VPPB; representa 1/3 de todos os casos de vertigem), enxaqueca e neurite vestibular (inflamação da parte interna do ouvido que ajuda a controlar o equilíbrio de nosso corpo). Ela também pode ser causada por baixa pressão arterial, alguns problemas cardíacos (como arritmias cardíacas), distúrbios de ansiedade ou (raramente) por hipoglicemia.

Em alguns casos, as tonturas podem ser um sintoma de outros distúrbios que precisam ser identificados.

Já a vertigem é um tipo de tontura caracterizada pela sensação de rotação do espaço (denominada tontura rotatória). Ela responde pelo tipo mais comum de tontura (5% a 7%) e é o sintoma principal das labirintopatias. Geralmente resulta de uma mudança repentina ou temporária da atividade das estruturas de equilíbrio do ouvido interno (sistema vestibular) ou em conexões das estruturas de equilíbrio que vão até o cérebro. Essas conexões percebem quando ocorrem movimentos e alterações na posição da cabeça. Um movimento brusco ao se sentar ou ao se levantar pode piorar a sensação de vertigem. Algumas vezes a vertigem pode ser grave o suficiente para causar náusea, vômito e problemas de equilíbrio. Mas a boa notícia é que a vertigem não costuma durar muito. Em algumas semanas o organismo se adapta ao fator que a está causando e ela costuma desaparecer. Contudo, em casos específicos, pode se tornar um problema crônico que necessita de tratamento contínuo.


Algumas das causas mais recorrentes de tonturas e vertigens

Dificilmente a tontura indica um problema neurológico mais grave, como um derrame, hemorragia cerebral ou esclerose múltipla. Algumas pessoas fazem essa associação por se tratar de um sintoma relacionado à cabeça. Contudo, quando a tontura ou a vertigem surgirem após uma pancada no crânio, e, principalmente, se estiverem acompanhadas de febre alta, perda súbita de audição, dor no peito e visão turva, busque o quanto antes por orientação médica.
Conheça a seguir algumas das causas mais frequentes de tonturas e vertigens:

Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): é caracterizada pelo aparecimento de tontura rotatória (vertigem) desencadeada em determinadas posições que a cabeça assume no espaço, como quando o indivíduo se levanta ou se deita na cama. Essa tontura costuma ser intensa e rápida, com duração menor que um minuto, podendo provocar desequilíbrio e quedas.

Doença de Ménière: é caracterizada por crises vertiginosas recorrentes de tontura, com duração que varia de 4 a 72 horas, perda auditiva e zumbido. A perturbação da orientação espacial pode ser intensa e, geralmente, é acompanhada de instabilidade corporal, desvio da marcha e perda do equilíbrio, além de sintomas neurovegetativos que incluem mal-estar, sudorese, taquicardia, palidez, micção ou defecação de maneira espontânea. O desconforto gerado pelos sintomas da doença de Ménière pode alterar de forma significativa e duradoura a capacidade de o indivíduo realizar as tarefas do dia a dia. O caráter flutuante desse distúrbio labiríntico, a progressão da lesão com o decorrer da evolução clínica, a imprevisibilidade de futuras crises vertiginosas e as alterações emocionais determinam a piora na qualidade de vida desses pacientes.

Anemia: quando o organismo não possui ferro suficiente para produzir hemoglobina (proteína que transporta oxigênio no sangue) o indivíduo pode sentir tontura como um dos resultados desse processo.

Lesões: uma pancada forte na cabeça pode afetar o labirinto, assim como um trauma acústico. Por exemplo, se uma pessoa ficar próxima de uma caixa de som potente poderá ter tontura. Outro tipo de lesão é o barotrauma, que é ligado à pressão no interior do corpo. O problema pode ocorrer ao decolar no avião ou durante um mergulho na água em maior profundidade.

Transtornos de ansiedade: durante uma crise de ansiedade a pessoa pode experimentar sintomas como taquicardia, tontura, coração acelerado, sensação de desmaio.

Migrânea vestibular: a migrânea é mais do que simplesmente uma dor de cabeça. Assim como alguns indivíduos experimentam o fenômeno de aura visual em suas crises de migrânea, outros podem ter episódios de vertigem e outros tipos de tontura, mesmo quando não estiverem passando por uma crise de cefaleia naquele momento. Tais episódios de vertigem podem durar horas e até dias e podem ser associados com dores de cabeça assim como à fotossensibilidade.

Queda na pressão arterial: uma queda expressiva na pressão arterial pode resultar em sensação de tontura ou de desmaio iminente. O mesmo pode acontecer quando se senta ou levanta-se muito rapidamente.

Problemas articulares e musculares: fraqueza muscular e osteoartrite podem contribuir para a perda de equilíbrio quando as articulações passam a não mais suportar o peso corporal, causando vertigens.

Independentemente da causa da tontura ou da vertigem recomenda-se sempre estar em dia com os checkups básicos de saúde. Dessa forma, se houver algum problema elementar como uma anemia ou uma infecção, ele é identificado precocemente evitando complicações ou comorbidades futuras.


Tontura e vertigem — Quando buscar pela ajuda do especialista?

Quaisquer sinais e sintomas de tontura e vertigem merecem uma avaliação médica. A maioria dos casos é simples de se resolver. Embora esses sintomas, comumente acompanhados de náuseas, vômito e mal-estar, prejudiquem a qualidade de vida, suas causas geralmente são facilmente tratadas com medicamentos e algumas mudanças de hábitos.
Alguns sinais e sintomas devem ser avaliados por um médico quando acompanhados da vertigem. São eles: visão dupla, cefaleia, fraqueza, dificuldade para falar, movimentos anormais dos olhos, nível de consciência alterado, dificuldade para despertar, caminhar ou controlar braços e pernas.

A tontura pode ser o sintoma inicial de algumas doenças graves. Deve-se buscar ajuda imediatamente na presença de um dos seguintes sintomas:

• Episódios de tontura sem causa aparente ou tontura repentina.
• Qualquer mudança em um padrão preestabelecido de tontura.
• Crise de tontura após tomar um medicamento novo.

A tontura pode ser o único sintoma de um infarto ou de um acidente vascular cerebral (AVC). Se o indivíduo tiver antecedentes de uma dessas doenças, o socorro imediato poderá salvar sua vida. Qualquer tontura associada à fraqueza de uma extremidade, inclinação facial ou fala arrastada são sinais de um possível AVC.

Quando a tontura proceder qualquer concussão na região do crânio e ocorrer simultaneamente febre alta, perda súbita de audição, dor no peito e visão turva, recomenda-se uma avaliação médica imediata.

Também são sinais que indicam a necessidade de procurar um hospital enfraquecimento de pernas ou braços, fala embaralhada, perda de consciência e mal-estar acompanhado de náusea e vômito, além da presença de desequilíbrio intenso.

O tumor cerebral é uma situação distinta, porém seus sintomas podem ser semelhantes aos dos distúrbios vestibulares. Eles incluem dor de cabeça constante e intensa, falta de equilíbrio e de coordenação motora, tontura, visão dupla, náusea e vômito. Por isso que, na dúvida ou na persistência dos sintomas, a orientação médica é o melhor caminho.

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